<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232</id><updated>2011-08-09T08:07:21.157-07:00</updated><title type='text'>Faces da Arte</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-7206948481220811337</id><published>2008-08-31T05:39:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T10:15:19.153-07:00</updated><title type='text'>A Saga do Herói Amoroso</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Como falar da evolução da literatura, se a primeira obra é Odisséia?– a pergunta retórica é do professor Cláudio Moreno, em um curso de mitologia grega. Concordo, depois de percorrer o Hades, na versão em prosa, e, em verso, sobreviver ao canto das sereias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo ali - resume o professor de jornalismo Paulo Roberto Araújo, participante do Palavra Falada. Concordo, depois de me perder nas inversões temporais do narrador, nos flashbacks e na trajetória do herói. Aliás, Ulisses é o típico herói de um épico grego. Assim como na tragédia e ao contrário da comédia, trata-se de um homem superior. Nobre, líder, guerreiro exímio e belo. Um humano tão mais que humano que é capaz de despertar a ira de Posêidon e a compaixão de Palas Athena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está inclusive o amor – penso com minha mania romântica de ver a vida, de ver os livros. É por amor que se faz a guerra. É o rapto de Helena, a mulher mais linda, que, de tão linda, não se descreve. Páris é o ladrão apaixonado, mas como culpar essa loucura lírica se ela é manipulada por Afrodite? Bem, a Guerra de Tróia é narrada em Ilíada. Falemos de Odisséia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor de Telêmaco faz com que ele viaje à procura do pai. O amor de Penélope faz com que ela, nas madrugadas, desmanche o manto. E é por amor que Odisseu tenta, por dez anos, voltar para casa. E, para isso, entre tantos obstáculos, resiste às sereias, “enfrenta” Circe (que transforma humanos em porcos), fura o olho do Ciclope. Por amor, ele vai até o inferno, o Hades, onde encontra a mãe, a quem tenta abraçar por três vezes. Eu vejo o amor também nesses deuses de paixões humanas, que brincam com o destino; assim como, o destino brinca com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por amor, nós do Palavra Falada tentamos, milênios depois, falar de literatura.&lt;br /&gt;- Está tudo ali - disse Paulo Roberto. Inclusive, esta oralidade que, hoje, tentamos recuperar. Os cantos da Odisséia era recitados pelos Rapsodos –do grego, “aqueles que costuram os cantos uns dos outros” - que declamavam, ao som da lira, versos épicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como falar da evolução da literatura, se a primeira obra é Odisséia? –perguntou Moreno. Se, com essa distância milenar de homens e deuses, continuamos entoando as aventuras de Odisseu em um programa de rádio? Nós, do Palavra Falada, somos rapsodos que, por amor, utilizamos microfone e internet, para costurar os textos uns dos outros. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Palavra Falada vai ao ar todas as sextas-feiras, das 17h05 às 18horas, na rádio Universidade 800AM. (programapalavrafalada.blogspot.com) &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-7206948481220811337?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/7206948481220811337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=7206948481220811337' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/7206948481220811337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/7206948481220811337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/08/saga-do-heri-amoroso.html' title='A Saga do Herói Amoroso'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-3928533833860700402</id><published>2008-08-11T12:27:00.000-07:00</published><updated>2008-08-22T14:16:29.349-07:00</updated><title type='text'>Longa noite - sem estrelas - sob o céu do Chile</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SKCXiBiTY-I/AAAAAAAAAB4/D3bjdigj9XI/s1600-h/cesar.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233349377788175330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SKCXiBiTY-I/AAAAAAAAAB4/D3bjdigj9XI/s320/cesar.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era nosso primeiro dia em La Habana. Eu e César caminhávamos entre pausas para gravar, olhares desconfiados, confissões inesperadas. Eu vestia uma blusa rosa listrada, uma saia jeans. Meu amigo chileno estava de camiseta verde, de bermuda bege. E vocês me perguntariam qual a importância disso. Não sei, mas é que, em Cuba, as cores são mais cores. A poeira de Cuba se concentra sob as calçadas, as paredes e os poros da gente. Mesmo assim, as cores são mais cores. Bem, talvez porque passávamos por monumentos empoeirados e pela Avenida Allende, César mudou o tom das suas confissões e passou a contar a história da sua família misturada ao passado do seu país. Porém, sem cores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em preto e branco, meses depois, eu leria “Noturno do Chile”. Uma facada suave com que Roberto Bolaño acariciou minhas tripas. Com esse livro, não pode haver eufemismos. O texto é belo ao falar da época de uma ditadura que embaçou as cores chilenas por dezessete anos. No contexto de “aço e silêncio”, Bolaño dá luz ao ser humano. É o indíviduo, na sua complexidade de consciência e culpa, que é narrado diante da coletividade absurda. O narrador é o padre e poeta Sebastián Urrutia Lacroix, que atendia pelo pseudônimo de H. Ibache, enquanto crítico literário. No leito de morte, antes da “tormenta de merda”, vem a tormenta de uma vida repleta de livros e golpes. Uma vida contraditória que dá aula de marxismo ao general-ditador Pinochet. Uma vida erudita, mas alienada, que citava os gregos; porém, no Chile, havia escassez, inflação, mercado negro. E lia Platão, Aristóteles, Tucídides, enquanto bombardeavam o Palácio de La Moneda “e, quando terminou o bombardeio, o presidente se suicidou e tudo acabou. Então eu fiquei quieto, com um dedo na página que estava lendo, e pensei: que paz”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando aos meses de calor e poeira, em que eu caminhava pelas ruas cubanas... Naquela manhã, entre as cores bem cores de Cuba, escuto a história da família de César. Ele começa contando que recebeu o nome de um amigo do pai, que este deixou de ver no dia 10 de setembro de 1973. Depois, fala da mãe que prometera não ter filhos enquanto houvesse ditadura; mas já que os teve, por medo, por amor, deixara de ser tão ativa nas suas lutas revolucionárias. O pai, ao contrário, ia adquirindo uma consciência social profunda para lutar contra o não passar daqueles anos intermináveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, quando avançava no tempo, levando as punhaladas das linhas de Bolaño, eu lembrava de César. E, então, voltava a caminhar por entre as páginas de “Noturno do Chile”. E lembrava de César... Ficção e realidade, atormentadas pelo mesmo fantasma preto e branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu apenas costuro os relatos do meu amigo (em negrito) e do livro ( que li em português, em itálico) que sobreviveram à noite sem estrelas que, por dezessete anos, cobriu o céu do Chile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y sí, la dictadura siempre estuvo ahí, desde el mismo inicio de mi vida. Y mis primeros recuerdos están inevitablemente teñidos de ella. A decir verdad, no sé hasta qué punto son memorias verdaderas o son invenciones de mi imaginación en base a relatos que he escuchado decenas de veces. Pero allí están las imágenes. Una revista prohibida en Chile hasta entonces, con imágenes de Salvador Allende, que vi por primera vez a los cuatro años y que me hizo escuchar por primera vez los términos izquierda y derecha. Mis padres hablando de un tal Pinocho en las conversaciones con amigos íntimos. Vacaciones en un regimiento en Calama y en Arica. Aprender una estrofa más del himno nacional, donde se hablaba del valor de los soldados chilenos. Cantar los himnos de la fuerza aérea, los Carabineros y la Armada en clases de música. Y la admiración creciente hacia un padre que, a medida que mi conciencia se iba a formando, yo descubría sus pequeñas batallas por no dejarse apabullar por el estado del terror impuesto por el gobierno militar.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Toda noite rezava e conciliava o sono sem problemas. Às vezes tinha pesadelos, mas naqueles dias, uns mais, outros menos, todo mundo sofria um pesadelo de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Una bomba lacrimógena que cayó en el patio de mi casa y que obligó a mis padres a medianoche a llevarnos a la posta más cercana. Una tarde en que mi padre, harto del toque de queda y de los militares en las calles, abrió las cortinas y gritó pidiendo libertad (creo que el militar que lo vio estaba tanto o más asustado que él). Ciclos de cine clandestinos organizados con el primer videograbador que compramos, donde partíamos con documentales, noticiarios prohibidos y cerrábamos con la joyita de la noche: "Missing", la película de Costa Gavras que por obvias razones estaba prohibida en el país. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Nós nos movemos como se não tivéssemos sombra e como se esse fato atroz não nos importasse. Falamos. Comemos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Recuerdo que mi padre si unió a un grupo llamado Cruzada por la Participación Ciudadana, que, entre otras cosas, intentaba convencer a la gente de que debía inscribirse en los registros electorales para participar en el plebiscito de 1988 que decidiría la continuidad de Pinochet … recuerdo las conversaciones privadas al final de la misa en la parroquia del barrio (uno de los pocos lugares donde sí se podía hablar)…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Vieram épocas duras e épocas confusas, mas, sobretudo, épocas terríveis em que o duro e o confuso se mesclavam ao cruel.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Y no exagero. Una vez, a mi padre lo detuvieron al salir de la casa de unas monjas norteamericanas. Un grupo de hombres lo subió a un auto y, mostrándole una metralleta, examinaron su maletín de trabajo y lo interrogaron durante varias horas hasta que lo dejaron en libertad en una calle. Esa tarde, mi madre lloró por el atraso de mi padre.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E eu: distingue algo que diga respeito ao Chile? Distingue o rumo da pátria? E Farewell: esta comida me fez mal. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;La segunda vez fue más dramática. A mi madre y yo nos despertaron los ruidos de unas metralletas. Y un par de horas después, vimos en televisión las imágenes de una casa de las cercanías, donde se había producido un supuesto enfrentamiento entre la policía y grupos "terroristas". Pasarían años para se dijera que todo había sido un montaje y que en verdad, los militares habían acribillado a un grupo de opositores indefensos en dicha casa. Pero esa misma mañana, mi madre me llevó al lugar de los hechos, para que no olvidara. Y no, nunca olvidé a los carabineros vigilando, a las cámaras de televisión, a la gente mirando. Operación Albania le pusieron. Tampoco olvidé a la gente que, espontáneamente, organizó una velatón para guardar luto por las víctimas. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Ao pôr açúcar no chá, vi meu rosto refletido na superfície. Quem te viu, quem te vê, Sebastián, disse comigo mesmo. Tive vontade de atirar a xícara numa das paredes impolutas, tive vontade de sentar com a xícara entre os joelhos e chorar, tive vontade de ficar pequeno, mergulhara na infusão quente e nadar até o fundo, onde descansavam como grandes pedras de diamante os grãos de açúcar. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pero quizá uno de los recuerdos más vivos que tengo fue el de uno de los últimos veranos bajo Pinochet. Toda la familia estaba de vacaciones en Valparaíso, escuchando a Tito Fernández y mirando las luces del puerto cada noche. Una mañana, tomamos un micro hasta Viña del Mar, al cementerio de Santa Inés. Y allí, mi madre conversó con un niño que trabajaba vendiendo flores. No sé exactamente qué le dijo, pero a cambio de unas monedas, el niño terminó llevándonos hasta uno de los lugares más prohibidos en el Chile de ese entonces: la tumba donde estaba enterrado Salvador Allende. Durante la dictadura, la figura de Allende había sido borrada dentro de Chile…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Encolhi os ombros, como costumam fazer os personagens de romance e nunca os seres humanos reais. (...) Encolhi os ombros como um pássaro ferido.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;… No había fotografías, registros de audio ni imágenes en televisión. Y tras su muerte, el ataúd se había llevado hasta la tumba de un familiar y se había dejado allí, sin inscripción alguna. Recuerdo que le llevamos una flor para homenajearlo y al llegar la tumba, vi a mi madre derramar algunas lágrimas. En todos lados, con lápices, la gente había escrito el nombre de Salvador Allende, fragmentos de su último discurso o la frase "Allende vive".Nunca les he preguntado, pero creo que para mis padres quizá había sido la culminación de un proceso, el final de un camino esa tarde, porque no mucho tiempo después, vino el plebiscito que significó el final del gobierno militar. Donde a pesar de la campaña del terror organizada por la dictadura, la gente salió contenta a las calles, a celebrar, a bailar un vals, a abrazarse con los carabineros. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233346503062710514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SKCU6sWV6PI/AAAAAAAAABw/I9mTP84XtVQ/s320/cesarino.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Eu vestia uma blusa rosa listrada, uma saia jeans. Meu amigo chileno estava de camiseta verde, de bermuda bege. E vocês me perguntariam qual a importância disso. Não sei, mas as cores são mais cores em Cuba, mesmo admitindo as incoerências de uma ditadura socialista. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Y sí, ya han pasado casi veinte años&lt;/strong&gt;, sorri César. E vocês me perguntariam qual a importância disso. Não sei, eu falo das ruas de Cuba por onde andei. Nunca fui ao Chile. Mas é tão bela a história da mãe que não quer ter filhos enquanto houver ditadura, mas que, quando os tem, leva-os ao túmulo de Allende para que deixem uma flor. Não sei, eu nunca fui ao Chile. Mas é tão belo o golpe de Bolaño, que fala de um padre que vai se encolhendo, entre a consciência e as aulas de marxismo para Pinochet. E tão bela a história de Maria Canales, amiga do padre, agitadora cultural, que recebia grandes nomes da abafada cultura chilena nos serões da sua casa; mas a beleza da festa se esvai quando, no porão, encontraram um corpo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E vocês me perguntariam qual a importância disso. Não sei, mas eu me pergunto. Por quê? Por que a família de César teve que passar por isso? Por que Bolaño, o escritor, foi exilado? Por que o padre aceitou ser professor de Pinochet? Por que Canales convidava os artistas na sua casa se o seu marido era torturador? &lt;em&gt;A resposta era simples: porque o costume leva a relaxar toda precaução, porque a rotina matiza todo o horror. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Livro: “Noturno do Chile”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Autor: Roberto Bolaño&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tradução: Eduardo Brandão&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Companhia das Letras&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;R$ 33,50&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-3928533833860700402?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/3928533833860700402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=3928533833860700402' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/3928533833860700402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/3928533833860700402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/08/longa-noite-sem-estrelas-no-cu-do-chile.html' title='Longa noite - sem estrelas - sob o céu do Chile'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SKCXiBiTY-I/AAAAAAAAAB4/D3bjdigj9XI/s72-c/cesar.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-8456451504319848623</id><published>2008-08-04T11:15:00.000-07:00</published><updated>2008-08-05T08:47:45.572-07:00</updated><title type='text'>Olhar viajante sob a maior rodoviária da América Latina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SJdMfV4vhEI/AAAAAAAAABg/abtqdCZRwzo/s1600-h/livro+amarelo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230733593548915778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SJdMfV4vhEI/AAAAAAAAABg/abtqdCZRwzo/s320/livro+amarelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;No ousado livro-reportagem, “O Livro Amarelo do Terminal”, Vanessa Barbara conta a história de personagens que ”passam pela página com um enorme fiapo preso aos pés” e detalhes “despercebidos e que não fazem sentido” do Terminal do Tietê.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(O tempo anda em círculos - profetiza Úrsula em “Cem Anos de Solidão”, de García Márquez-. E, como a memória é amante do tempo, às escondidas de nós, eles copulam, enquanto são levados por uma imensa – às vezes, perigosa – roda-gigante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lia a Piauí de julho. Precisamente, a reportagem “A cidade das coisas perdidas”. Esse foi o estopim que pôs a memória a fornicar com o tempo na imensa – e, neste caso, inofensiva - roda-gigante. Então, eu lembrei do meu trabalho de conclusão de curso, da complexidade dos não-lugares de Buenos Aires, das poucas horas em que observei a loucura social da rodoviária de São Paulo. Assim, eu soube de “O Livro Amarelo do Terminal” e conheci o trabalho da escritora e jornalista Vanessa Barbara. Enfim, tantas lembranças, mescladas a novas informações, vieram à tona já na primeira volta da roda-gigante, já no primeiro parágrafo de uma página da Piauí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transformando a confusão cerebral em método:&lt;br /&gt;“A cidade das coisas perdidas” apresenta alguns trechos de “O Livro Amarelo do Terminal”, em que Vanessa Barbara faz um retrato pulsante da maior rodoviária da América Latina: o Terminal do Tietê. A partir de entrevistas, material de arquivo e observação aguçada, Vanessa passa a linha e a agulha por crônicas e relatos. Acaba costurando um livro-reportagem. O texto foi finalizado em 2003, após um ano de apuração, escrita e edição. (Ah,o livro foi resultado do seu projeto experimental de graduação.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, no meu trabalho de conclusão de curso, sob a orientação do professor Paulo Roberto Araújo, escrevi uma reportagem intitulada “Há vida nos subterrâneos de Buenos Aires”, em que relato o cotidiano do metrô portenho – cheio de cores, cheiros e sons - enfocando a história de vida de quatro pessoas que se cruzam diariamente sem se conhecerem. Para isso, estudei Marc Augé, o antropólogo francês que chamou de “não-lugares” os locais de espera e serviços, onde carecem de sentido as noções de identidade, memória e relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado um mês da apresentação da minha monografia, estive por duas horas no Terminal do Tietê, puxando conversa com a senhora da limpeza, comendo pão de queijo, tentando adivinhar o que havia nas malas, o que havia nos olhares desconhecidos. Duas horas em que vivenciei a rodoviária como um microcosmo da maior (e mais controversa) cidade do país. Depois, peguei a minha mochila e uma sacola cheia de livros de sebo; enfim, encarei a insana aventura de mais de 20 horas de viagem até Santa Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, passados outros meses, o tempo, em sua descompassada dança circular, pôs, em minhas mãos, a Piauí de julho e, justamente em frente aos meus olhos, o texto que detalha o cotidiano do Terminal do Tietê. E a memória, ansiosa para convidar o tempo para alguma orgia literária, reconheceu o bom jornalismo, resultado de um olhar que viaja entre tanta coisa pequena. Um olhar que pisca entre latinhas de alumínio, objetos perdidos, escadas. Um olhar que enxerga freiras e surfistas, famílias que passarão o Natal no nordeste, uma senhora que espera a Marinha britânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por e-mail, entrevistei a moça do olhar viajante: Vanessa Barbara, repórter de Piauí, editora do site A Hortaliça (www.hortifruti.org), escritora (publicou o romance “O Verão do Chibo”, em parceria com Emilio Fraia, pela Alfaguara) e, o que vem ao caso, autora de “O Livro Amarelo do Terminal”. &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230734423819377330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SJdNPq4pWrI/AAAAAAAAABo/OtZQf5ixWEU/s320/vanessa_barbara.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No seu dia-a-dia, como você exercita o seu olhar? Como trabalha a sua sensibilidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Meu olhar sofre de um erro de paralaxe, pois se concentra em detalhes bobos ou reações pequenas. Isso em qualquer situação — quando vou ao mercado, por exemplo, presto atenção num velhinho que anda de galochas e compra cinco embalagens de mortadela. No sábado à noite, me interessam as pessoas que saem de flanela para comprar salsichas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem grandes acontecimentos, "O Livro Amarelo do Terminal" é um retrato da vida que passa diariamente. Ele destaca detalhes do Terminal Rodoviário do Tietê que passam despercebidos. Por que esses detalhes se tornam tão importantes para o relato?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque a vida é feita de detalhes despercebidos e que não fazem sentido. Não é uma matéria de jornal com lead, desenvolvimento e conclusão, em que tudo se encaixa e tem um propósito. No Livro amarelo, há pessoas que passam pela página com um enorme fiapo preso aos pés, e é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Além dos detalhes, as pessoas também passam despercebidas em lugares como a rodoviária&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Porém, "O Livro Amarelo do Terminal" apresenta um relato  humanizado. Como você escolhia, entre uma infinidade de possíveis histórias, os seus entrevistados? Como eram essas entrevistas, ou seja, você dizia que estava fazendo uma reportagem, usava gravador, já tinha uma pauta programada, quais eram as perguntas recorrentes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu chegava, me sentava e puxava conversa. Me apresentava como estudante de jornalismo fazendo um trabalho sobre a rodoviária, usava um bloco cor-de-rosa e tentava anotar algumas frases da pessoa. No segundo ano da faculdade, fiz uma monografia de iniciação científica sobre inclusão digital e usei uma técnica de entrevistas chamada “histórias de vida”, em que o entrevistador tenta interferir o mínimo possível e deixar que a pessoa conduza a conversa. Costuma dar certo. Eu fazia uma ou outra pergunta genérica e a pessoa já ia falando sobre as coisas que importavam, às vezes por horas. Nunca tive pressa de encerrar uma conversa sobre frango com quiabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aliás, você deve ter algumas anedotas interessantes da apuração. Pode contar alguma?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No decorrer do trabalho, tentei desenhar um mapa da rodoviária, no que fracassei estrondosamente. Cheguei a levar uma bússola e, no chão do andar superior, fui abordada por um segurança que me perguntou o que eu fazia com um mapa e uma bússola no chão. Eu respondi: “Olha que engraçado. O Norte antes era pra cá, agora é pra lá. Suspeito, não?”, ele riu, deu as costas e decidiu que eu não era perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segundo Marc Augé, rodoviárias são “não-lugares”. Para ele, uma das principais características desses locais é a solidão. Isso porque muitas pessoas dividem o mesmo espaço, mas não se conhecem, quando se comunicam é superficialmente e não se sabe a história de vida dos demais. Como você percebeu isso durante a apuração?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em 2003, foi essa a conclusão que eu tive com a experiência da rodoviária. Hoje, cinco anos depois, percebo que não é bem assim: a rodoviária é um lugar de encontros. Podem ser breves, tristes, singelos ou aparentemente insignificantes, mas são histórias. A rodoviária é um grande lugar, um rio que corre rápido e fundo, cortando a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E como é a relação entre os funcionários do Terminal Rodoviário do Tietê com o próprio local?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Depende, há os funcionários como Marcos e Rosângela, que têm uma relação carinhosa com a rodoviária, e há outros como os assessores de imprensa e os supervisores da época, que aparentemente dirigem uma indústria de embutidos com segredo industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há trechos, publicados na revista Piauí, em que os dados são substituídos por __. Por exemplo, “(...) __ quilômetros de lentidão. A previsão é de __ carros deixem a cidade até amanhã.”. Por quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um gerador automático de reportagens. O repórter de “Cidades” que precisa publicar uma matéria sobre o feriado e quer sair do trabalho mais cedo só precisa preencher com os números e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O estilo do livro aproxima-se ao Jornalismo Literário. Quais foram os principais recursos estilísticos que você utilizou?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Usei muito diálogo e pouca descrição. Fiz um gerador automático de reportagens, um texto entrecortado por músicas, outro interrompido por vozes que foram se impondo no capítulo, outro puramente inventado, outro com recortes de jornal etc. Tentei usar os melhores expedientes para contar as histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais são os autores que inspiraram o livro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Além de Gay Talese, Joseph Mitchell, Truman Capote, Joel Silveira, Will Eisner, Rubem Braga, Drummond, Luis Fernando Verissimo, George Orwell. Na literatura, Flaubert, Cortázar, Poe, Salinger, Sterne, Kafka, Campos de Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você tem manias para escrever? Alguns rituais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho que escrever em silêncio e às vezes, para reler, fico de pé, mudo a posição do monitor ou a fonte do texto. Gosto de escrever com serifas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; “O Livro Amarelo do Terminal”&lt;br /&gt;Autora: Vanessa Barbara&lt;br /&gt;Prefácio: João Moreira Salles&lt;br /&gt;Editora: Cosac Naify&lt;br /&gt;* Vale a pena destacar o ousado projeto gráfico, elaborado por Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-8456451504319848623?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/8456451504319848623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=8456451504319848623' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/8456451504319848623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/8456451504319848623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/08/olhar-viajante-sob-maior-rodoviria-da.html' title='Olhar viajante sob a maior rodoviária da América Latina'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SJdMfV4vhEI/AAAAAAAAABg/abtqdCZRwzo/s72-c/livro+amarelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-3041780121964507683</id><published>2008-07-24T20:30:00.000-07:00</published><updated>2008-07-28T18:35:49.143-07:00</updated><title type='text'>Noite Surreal com Jorge Drexler</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SIlJWiUJOQI/AAAAAAAAABI/78XLKAdW4zg/s1600-h/16.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226789494057416962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SIlJWiUJOQI/AAAAAAAAABI/78XLKAdW4zg/s320/16.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um cambista torna-se meu amigo. Assim, tenho a dádiva de assistir ao disputadíssimo show de Jorge Drexler, em Porto Alegre, na última segunda-feira. Aliás, tenho a dádiva de conhecê-lo pessoalmente...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do escuro, ele surge com seu terno e All Star negros, sua camisa e seu sorriso brancos. A tantos aplausos, canta “Un País con el Nombre de un Río”, ao que acrescenta o verso “Chove na tarde triste de Porto Alegre”, de Ramilonga. A tantos aplausos, agradece aos “madrugadores” da capital, os primeiros a chegar na imensa fila da semana anterior, os poucos que conseguiram o disputado ingresso por R$20,00 (pelo qual paguei 40, pelo qual pagaria muito mais, e, mais ainda, se adivinhasse a loucura poética que a noite toda me presentearia). “Obrigado, madrugadores de Porto Alegre”, diz em um português de viajante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais aplausos. Sorri, simples e simpático. Sorri tantas vezes, suave e melódico, cantando o vinho que caía, o sapato que manchava, o amor que voltaria. “Todo se transforma.” Drexler se transforma ao passear os dedos por &lt;em&gt;la guitarra&lt;/em&gt; e insistir à solidão &lt;em&gt;que nos vayamos conociendo&lt;/em&gt;. Drexler se transforma ao entoar os eletrônicos cantos líricos de seus distintos álbuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a canção que dá título a um dos discos, “12 Segundos de Oscuridad”, é dividida com Vitor Ramil, autor da música. Este brinca que os uruguaios são mais lentos que os baianos, já que o lerdo farol do Cabo Polonio leva 12 segundos, enquanto o da praia de Itapuã, contou ele, demora apenas seis para trazer a luz de volta. Mas &lt;em&gt;no es la luz lo que importa en verdad/ son los 12 segundos de oscuridad.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por um bom tempo, os amigos dialogam nos dois idiomas-irmãos. Ramil habla en español; Drexler fala em português. E, assim, trocam elogios, mas sem exageros descabidos, sem os “egos” deixarem de ser suaves. Drexler diz que gostaria de ter escrito “Astronauta Lírico” e pergunta como Ramil teve essa idéia. A inspiração, responde ele, veio dos bons ares de Buenos Aires. Inclusive, foi nessa cidade que os dois compositores se encontraram pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226791756620141266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SIlLaPBIktI/AAAAAAAAABQ/6mfsWKhdT9k/s320/15.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Sem Ramil, o palco é apenas de Drexler, con &lt;em&gt;su guitarra y vo&lt;strong&gt;z&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Até que Matías Cella e Carlos “Campi” Campón abandonam a mesa de som e, com seus instrumentos exóticos, arrancam sorrisos e aplausos. Eles também surpreendem com o que seus gravadores testemunharam: as boas-vindas antes da aterrissagem no aeroporto Salgado Filho e o canto de algumas andorinhas. Colondrinas, que Drexler contou que, ao dar o &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;, respondiam ao seu próprio canto em versão digital. “Espero que não tenhamos causado nenhum desequilíbro ecológico.” Também contou que, na Espanha, ele, Matias e Campi encontraram uma garagem cheia de bicicletas. Da séria brincadeira de apertar suas campanilhas, ouvimos o gracioso resultado sonoro; mas só fica claro que campanilhas são “campainhas”, quando ele fala, em espanhol, a palavra “timbre”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É inevitável. Eu sei que é inevitável, então nem tento segurar as lágrimas. “Horas” me transforma. &lt;em&gt;No queríamos dormir /nos queríamos comer el mundo.&lt;/em&gt; Demasiadas lembranças para caberem detrás de um par de olhos. &lt;em&gt;No queríamos dormir/ nos queríamos comer a besos.&lt;/em&gt; Demasiadas lembranças que seguem vindo à tona com “Guitarra y Vos”, “Polvo de Estrellas” e “La vida es más compleja de lo que parece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drexler improvisa e dispõe-se a atender pedidos do público. Mais de duas horas de show, e ele diz que tem medo de nos cansar. Grito: “Nããão!!!” Porém, o show acaba com nossos aplausos misturados à gravação de outros aplausos. Mais uma vez, Matias e Campi, lá de cima... Agradeço, cantando o vinho que caía, o sapato que manchava, o amor que voltaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba o encantamento lírico, e vem a tietagem histérica. Bem, surge o boato de que ele atenderá aos fãs. Sim, sabemos o quanto isso é brega, mas o Drexler... Bem, somos cinco histéricos que, após vários planos para encontrá-lo (mencionamos até um seqüestro), esperamos mais de uma hora em frente a uma porta desconhecida. E parece tão fácil; surreal até; quando já resta pouca gente, já resta pouca esperança, e o segurança grandão diz: “Subam!” Assim: “Subam!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subimos ao camarim. “Como está meu cabelo?”, diz uma. “Não posso chorar, senão ele vai pensar que eu sou louca”, fala a outra. “Sério que tu tá nervosa?”, pergunta o mais equilibrado. Subimos no nosso delírio infantil. E esperamos alguns segundos na fila. E... Drexler... sorriso largo, uma outra roupa, toda preta... Abraço e digo: “Jorge, graciasss!” Terno, ele faz um “amm”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Drexler se torna Jorge. E abraça cada um de nós. E tem paciência para tirar fotos ridículas. E, quando dissemos que éramos de Santa Maria, ele fala para nos cuidarmos na estrada. Mas contamos que ficaremos para ir ao Opinião, dançar ao som de Chico. Ele nos apresenta a Matias, da Patagônia, com quem falo sobre os argentinos que infernizam Florianópolis, e a Campi, catalão, com quem trocamos algumas palavras. Vitor Ramil também está lá; aliás, aqui, na foto:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226794991811918434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SIlOWjC9emI/AAAAAAAAABY/tbHtpWFYoNY/s320/19.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O Opinião está cheio. Cerveja e samba. Tom, Vinícius, Chico e... Drexler! Ele dança engraçado. Matias encanta a todas nós. Campi está por aí. Drexler continua sambando engraçado. Bem, dele, não contarei mais nada, cada um com sua vida pessoal. Mas posso dizer que fora do palco, “todo se transforma”. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Bem, de nós, as tietes, terminamos a noite num tal de Van Gogh, um bar de fim de noite - mais surreal que impressionista. Lá, tomamos sopa ao som de uma senhora delirante, delirantemente desafinada que cantava “uh uh uh, que beleza é amar (sic) a natureza”. A música e o vinho se diluem nesse delírio etílico. Porém, com raios de desenho impressionista, o sol desperta. Enfim, amanhece, o mito se desfaz, o romantismo evapora; mas eu insisto em seguir cantando o vinho que caía, o sapato que manchava, o amor que voltaria. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-3041780121964507683?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/3041780121964507683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=3041780121964507683' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/3041780121964507683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/3041780121964507683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/07/uma-noite-surreal-com-o-jorge-drexler.html' title='Noite Surreal com Jorge Drexler'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SIlJWiUJOQI/AAAAAAAAABI/78XLKAdW4zg/s72-c/16.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-7575623076309615701</id><published>2008-07-06T14:46:00.000-07:00</published><updated>2010-11-23T12:48:42.554-08:00</updated><title type='text'>Algumas Cenas do Monastério do Cinema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SHE-BVS0GvI/AAAAAAAAAAc/FLIYlHUTlao/s1600-h/DSCN1236.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220021635715963634" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SHE-BVS0GvI/AAAAAAAAAAc/FLIYlHUTlao/s320/DSCN1236.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sob a poeira de Cuba e as lições de Octávio Cortazar, escreve-se um belo roteiro; porém, o destino impõe suas armadilhas. O final infeliz é inevitável.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manhã de domingo, final de setembro de 2007. Eu e minha mala de 30 kg desembarcamos no Aeroporto Jose Martí. Um calor insano. Um cheiro de fumo mofado. Minha mochila foi aberta. Não, não falta nada. ¡Señor! ¿Dónde tomo un coche a la escuela de cine, en San Antonio de Los Baños? Meus olhos curiosos: eles são cubanos! Meus olhos invasivos: o que há nessas casas? O que há nessas almas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeira, poeira, e, na metade do caminho, o motorista olha para os meus olhos pelo retrovisor: ¿Querés ser actriz? No, no sé lo que quiero ser. Parece piada. No meu senso comum, pergunto o que todos perguntariam a um cubano. Ele me mostra os campos improdutivos. Eu insisto no tema. Ele diz que, antes da revolução, tudo era ainda pior. Eu quero saber como é o jornalismo em um país comunista. Ele fala das novelas brasileiras. ¿Cómo termina La Cabocla? Discúlpame, señor, pero no lo sé. Essa foi a segunda de muitas vezes em que pediria desculpas por não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ahí está”, diz o motorista, e, depois, já não ouço nada. Perco-me na contemplação do território sagrado. San Antonio de los Baños, há 25 km de La Habana. “Ahí está”: o Monastério do Cinema. Alguns templos brancos no meio do campo deserto. Escuela de Cinema y Televisión. Muito mais cinema que televisão. “Ahí está”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porteiro verifica se meu nome está na lista. Si, “Thaís B.”, del Taller de Realización de Documentales. A funcionária me conduz ao apartamento. Outra brasileira e quatro espanholas na nossa capela de três quartos. Heresia! Na cozinha, nada funciona. No banheiro, não há tampa no vaso. Porém, na sala, tem um vídeo cassete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicam-me que tenho direito a três refeições por dia. 12h30. É hora do almoço. No refeitório, dezenas de alunos que, por amor ao cine, ficam três anos longe de tudo. Três anos vivendo neste monastério, que, de sagrado, só tem a arte. Encontro com quem conversar em português, com quem reclamar da falta de arroz... A entrada é um prato fundo de feijão. Em seguida, quiabo, repolho, purê de batata, ovos. Sem medo da congestão, piscina. Com medo dos raios, voltamos ao apartamento. Respeitamos a chuva diária, alívio sob o calor equatorial. Mas que fazer dentro de casa? Filme argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, a primeira aula. Cedo da manhã, conhecemos o mito. Um dos documentaristas mais respeitados de Cuba, autor de “Por primera vez”, quanta apresentação! Chega de puxarem o saco. Octávio Cortazar. Ele grita “Fran”, e o projecionista passa “Glass”. Nunca vou esquecer. Octávio pede minha opinião. E eu não entendo o sotaque cubano. Comento apenas com uma colega brasileira: a velha história de que quem sai do calor para o frio fica torto é história. Senão, nós, os 19 alunos, desdobraríamos nossos corpos em formas curvilíneas. Aquele ar-condicionado sempre ligado. Não discutam, Octávio sofre do coração. E eu não consigo parar de pensar em “Glass”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220022326156247570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SHE-phYmwhI/AAAAAAAAAAs/EEXXCHiSxqQ/s320/DSCN0851.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;É um ônibus-quase-defunto, mas, sem problemas, leva-nos à cidade de Bejucal. Parece que tudo em Cuba dura mais. Os ônibus, as casas sem tinta, a poeira, o cheiro de fumo mofado. O sorriso dos velhos. Simpático, amável é o povo de Bejucal. Sempre me oferecem café. Eu agradeço, com o olhar apático de uma hipoglicêmica. Sempre falam de novela e futebol, eu apenas sorrio, disfarçando minha ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formam-se os grupos. Nós, sem tema, decidimos fazer sobre uma figura misteriosa do folclore de Bejucal: La Macorina. A história de um homem de La Habana que participava das Charangas, vestido de mulher. Ninguém sabia quem era. Mas nós somos cinco diretores que mal nos conhecemos e temos diferentes concepções de documentário. La Macorina tira meu sono. Dois dias de gravação, dois dias de edição. Pronto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coppola riscou na parede: “Art never sleeps”. Ettore Scola: “…delle artista sono la richezza del mundo”. Nelson Pereira dos Santos: “Hacer cine es voar (sic!) en libertad”. Fernando Trueba: “La vida es una película mal montada (y con un final de mierda).”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a noite, às 20h, há um filme na sala de projeções. Vão os alunos do curso regular e das oficinas. E passamos as noites numa sucessão de recorrente inspiração. A tela nos deixa perdidos. “Blow up”, de Antonioni. E nos extasia com a beleza. “O Baile”, de Scola. E nos faz rir da eternidade de um clássico. “A primeira noite de um homem”, de Mike Nichols. E Cortázar ri da nossa ignorância, cada vez que exibe filmes raros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou comendo sozinha, porque cheguei atrasada. Aquele homem, de 72 anos, senta ao meu lado no refeitório. E eu faço desfilar uma a uma as minhas angústias. Ele ouve o meu lamento tímido sobre a impossibilidade de viver da arte, sobre o medo de arriscar, sobre a falta de perspectivas futuras. Cortázar diz: “Thaís, te vas a vivir a Roma”. Não entendo o por que, mas passarei a estudar italiano. Também não entendo por que, em um dia de gravação, ele dá sua máquina a Pedro, o produtor, e pede que tire uma foto comigo. Sorrio para parecer alegre naquele recuerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das aulas, há as festas. O ar sagrado do templo é sufocado pela fumaça de centenas de cigarros. As músicas não são nada cults. Dançamos salsa e reggaeton sob a lua enorme de Cuba, sob a lua que o rum torna menormenormenorme. E isso tudo sob um ar de poesia doente. Manuel Bandeira, Havana Club, Bucanero, cigarros, cinema, cinema e cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim, nos fazemos amigos. E, assim, os colombianos elogiam “Cidade de Deus”. E, assim, os mexicanos falam de “Amarelo Manga” e “Madame Satã”. E, assim, os espanhóis contam como são suas escolas de cine. E, assim, um chileno me confessa que sofre por amar demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilhados dentro da ilha. A internet está sempre fora do ar. A ligação é caríssima. Aliás, tudo é caro. Um país de duas moedas. Peso cubano para eles. Pesos convertíveis, equivalente ao euro, para nós. Tentam separar os cubanos dos turistas. Mas não. Trarei, na mala de mais de 30 kg, os livros com dedicatórias, os endereços para mandar cartas, as notas de três pesos cubanos com o retrato de Che. Trarei comigo sempre o abraço demorado de uma despedida que talvez seja para sempre. O afeto, que talvez seja para sempre, de Maripili, Moisés, Enrique, Pucho, Rafael, Mercedez y del historiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A muitos desses, dou o último abraço nesta tarde em que um destes ônibus pré-socráticos traz os bejucalenses à escola, para que assistam aos nossos trabalhos. Depois de três semanas. Também é a despedida sem abraços de Cortázar. Ele tenta escapar. Vamos, em grupo, até o carro dele. E ele diz: “Me voy, no me gustán las despedidas porque soy cardíaco. ¿Entienden lo que digo? Son preciosos”. E aquele carro pequeno, pobre e azul segue pela estrada de poeira. E Cortázar levanta o braço em um aceno distante.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220021896204091874" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SHE-QfsBgeI/AAAAAAAAAAk/62S5t31bGCk/s320/DSCN1202.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;Depois, a despedida afetuosa (e cheirando a rum) dos colegas. Prometemos e-mails, prometemos visitas. Eu vou viajar com o chileno que sofre por amar demais e com outra brasileira que, na escola de cine, deixa um grande amor. Vamos a Trinidad e a La Habana. Cinco meses depois, nosso reencontro é em Buenos Aires. Antes de bebermos vinho tinto, as três taças brindam a Cortázar. Nosso mestre, que morreu do coração em fevereiro e foi enterrado em Madrid, provando que, como Fernando Trueba escreveu com tintas vermelhas na parede da escola, a “vida es una película mal montada (y con un final de mierda).”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-7575623076309615701?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/7575623076309615701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=7575623076309615701' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/7575623076309615701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/7575623076309615701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/07/monastrio-do-cinema.html' title='Algumas Cenas do Monastério do Cinema'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SHE-BVS0GvI/AAAAAAAAAAc/FLIYlHUTlao/s72-c/DSCN1236.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-5095382772955401796</id><published>2008-06-23T10:53:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T11:00:32.938-07:00</updated><title type='text'>Os Melhores Obituários</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SF_klqlxOlI/AAAAAAAAAAU/gckSTGjGiDA/s1600-h/aablog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215138229257321042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SF_klqlxOlI/AAAAAAAAAAU/gckSTGjGiDA/s320/aablog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Longe das lágrimas póstumas ou da curiosidade mórbida, “O Livro das Vidas” apresenta a beleza extraordinária das vidas comuns.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“Robert McG. Thomas Jr., jornalista do &lt;em&gt;New York Times &lt;/em&gt;que ampliou as possibilidades do obituário convencional, revigorando uma das áreas mais negligenciadas da imprensa diária, morreu na quinta-feira na casa de verão de sua família...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem deixou de viver ontem? Tantos corpos e histórias são enterrados a cada dia. Tantas vidas interessantes que jamais conheceremos. Pessoas anônimas que sofrem de mortes comuns. (A morte do esquecimento.) Assim, desaparecem os causos fantásticos ou singelos que mereceriam, ao menos, as últimas páginas de um jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um livro sobre a morte. É sobre a vida, como diz o próprio título. “O Livro das Vidas” apresenta, com extrema sensibilidade, uma coletânea de obituários publicados no &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; na década de 90. E, dessa forma, faz jus à excelente qualidade das obras lançadas pela coletânea Jornalismo Literário da Companhia das Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de nenhuma homenagem póstuma, mas de perfis humanizados e realistas, que não santificam nem demonizam. Apenas contam histórias de vida. Entre elas, a de um senhor que distribuía luvas para aquecer as mãos frias de Nova Iorque (“Não é tanto a luva, mas dizer para as pessoas que elas importam”) e a de um designer de roupas espaciais (“O Calvin Klein do espaço”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os obituários são de diferentes autores, mas não deixam de seguir um padrão. No primeiro parágrafo, citam o nome, qual profissão exerceu e como morreu, além da fonte que confirma o óbito. No último, os familiares que o falecido deixa. Não indicam horário nem local do velório e do enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo aproxima-se da crônica. Há a fluência em contar histórias típica do Jornalismo Literário. É freqüente o uso de figuras de linguagem como a metáfora: “Quer catassem milho ou fossem uma metralhadora no teclado, os clientes de Adelman apreciavam seus conselhos” e a comparação: “(...) disse ela: Rachel e eu ficávamos juntas como dois passarinhos caídos”. Alguns não dispensam a ironia: “A seguir, prometeu mais de 2 milhões para instituir uma cátedra com o seu nome”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os obituários de “O Livro das Vidas” têm ritmo e leveza. Entre esses, está o do repórter Joseph Mitchell: “Ele escrevia sobre mariscos e ostras com paixão e sensualidade”. Alguns chegam a ser engraçados, como “Os Palpites de Rose”, sobre Rose Hamburger, analista de apostas de turfe. Ela, que morreu aos 105 anos, demonstrava “interesse especial por homens mais novos, até porque, no fim da vida, talvez fosse difícil encontrar outra coisa”. Aliás, a maioria morreu em idade avançada, tempo suficiente para encher uma vida comum de fatos incomuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o cemitério está cheio de insubstituíveis, mas é uma pena não ter perdido uma partida de damas para Marion Tinsley ou comido um cheesecake de Harry Rosen. Como afirma o atual editor de obituários do &lt;em&gt;Times&lt;/em&gt;, Bill Mc Donald: “(...) os melhores obituários são aqueles que nos falam de pessoas sobre as quais nós nunca tínhamos ouvido falar, e nos deixam chateados por não termos tido a chance de conhecê-las”. “O Livro das Vidas” proporciona essa sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicas para morrer no &lt;em&gt;Times&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tão interessante quanto os perfis de “O Livro das Vidas” é encontrar no final da obra o texto de Matinas Suzuki Jr., o organizador. Ele conta como a seção de obituários passou a ser valorizada nos principais jornais dos Estados Unidos. Parte disso deve-se ao trabalho do obituarista Alden Whitman, sobre quem Gay Talese escreveu o brilhante perfil “Sr. Má Notícia” (encontrado em “Fama e Anonimato”, também da coleção Jornalismo Literário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60, no intuito de aprimorar a precisão jornalística, passaram a ser feitas constrangedoras entrevistas a candidatos a obituário. Isso permitiria esclarecer algumas dúvidas sobre a biografia de famosos. O primeiro vivo a colaborar com o seu próprio texto póstumo foi o ex-presidente estadunidense Harry Truman (entrevistado, aliás, por Whitman). Detalhe: a regra no &lt;em&gt;Times&lt;/em&gt; era de que ninguém poderia ler a notícia em que morria, porque “Um homem que leu o próprio obituário nunca mais será o mesmo”, afirmou o jornalista Elmer Davis, que teve sua morte anunciada equivocadamente duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosenthal foi um dos primeiros editores do jornal a valorizar esta seção. É dele a frase: “Se você tiver de morrer, é melhor morrer no &lt;em&gt;Times&lt;/em&gt;”. Matinas Suzuki Jr. completa: “Para muita gente é melhor um bom obituário no &lt;em&gt;Times&lt;/em&gt; do que ir para o céu”. Para essas pessoas, Rosenthal aconselha: morra antes das 14h e nunca no sábado, assim haverá tempo hábil para a apuração. Não se suicide, esse tipo de morte é banida da seção de obituários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deus é meu pauteiro”, segundo Suzuki, essa é a frase que está na mesa de trabalho de onze a cada dez obituaristas. Talvez a morte seja mais difícil para o jornalista que para o próprio defunto. O repórter que escreve o obituário de pessoas comuns tem que levantar dados em pouco tempo. Além de entrevistar amigos e parentes em uma situação delicada para escrever sobre alguém que nunca conheceu. Muitas vezes, ele ainda tem que citar de forma sutil aspectos duvidosos do caráter do falecido. Por exemplo, no perfil “A princesa Honeychile”: “Sentia uma notória afinidade por milionários”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista, que busca vida na morte dos outros, teme o dia em que outros dedos digitarão naquela seção. (Talvez não sejam mãos ágeis nem sensíveis.) Ele é curioso para saber o que dele se vai dizer. Qual será o tom da despedida? Ele passará a ser uma das pessoas comuns que sobrevivem algumas horas a mais e, em seguida, voltam a morrer com o jornal que é jogado no lixo para dar lugar às noticias do dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi com Robert McG. Thomas Jr., autor da maioria dos obituários publicados em “O Livro das Vidas”. Ele ousava, experimentando o texto, fugindo da rigidez jornalística. Usava frases e parágrafos longos. Além disso, tinha simpatia pela historia de vida de pessoas tidas como losers. O final da história é previsível. Thomas morreu de câncer de abdômen em 08/01/2000. Seu obituário foi escrito pelo colega Michael T. Kaufman e publicado no &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Além da esposa, Thomas deixa os filhos gêmeos, Andrewm, de Lewes, Delaware, e David, de Manhattan; a irmã Carey Gates Thomas Hines, de Birmingham, Alabama, e dois netos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O LIVRO DAS VIDAS (2008)&lt;br /&gt;Org.: Matinas Suzuki Jr.&lt;br /&gt;Editora: Companhia das Letras&lt;br /&gt;Tradução: Denise Bottmann&lt;br /&gt;Primeira edição, 310 páginas.&lt;br /&gt;R$ 40 a R$ 50.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-5095382772955401796?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/5095382772955401796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=5095382772955401796' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/5095382772955401796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/5095382772955401796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/06/os-melhores-obiturios.html' title='Os Melhores Obituários'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SF_klqlxOlI/AAAAAAAAAAU/gckSTGjGiDA/s72-c/aablog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-6787658783653238636</id><published>2008-06-15T20:13:00.000-07:00</published><updated>2008-06-15T20:22:01.725-07:00</updated><title type='text'>O romantismo - caseiro ou fujão -  de “Um Beijo Roubado”</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SFXbLoZnVhI/AAAAAAAAAAM/Z22EPs1v_L4/s1600-h/blueberry_nights_beijo_roubado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212313136621114898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SFXbLoZnVhI/AAAAAAAAAAM/Z22EPs1v_L4/s320/blueberry_nights_beijo_roubado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Duas jovens paulistas fogem depois de assistir ao “ Um Beijo Roubado” (My Blueberry Nights), de Wong Kar Wai. Vi o filme no mesmo cinema que elas, na Reserva Cultural, na Avenida Paulista. Ao contrário de quando li “On the Road”, de Jack Kerouac, não tive vontade de encarar a estrada. O romantismo sempre me faz voltar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um filme de aventura, mas de amor. Duas dores-de-cotovelo que se encontram. Duas solidões. Elizabeth (Norah Jones), abandonada pelo namorado, deixa a chave do ex no bar de Jeremy (Jude Law). Este ainda espera a ex-namorada russa que partiu e, dela, só sobraram as chaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de sonhar em correr pelos Estados Unidos e escrever um livro, Jeremy passa os dias e as noites servindo cervejas e tortas, guardando chaves de amores mal-resolvidos. Sua cúmplice é a câmera de vigilância que não garante segurança nenhuma, mas mostra a riqueza de toda a vida que passa e ele não percebe, porque está sempre atrás do balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elizabeth, entre tortas e lágrimas, divide noites de longas conversas com Jeremy. Até que parte. A estrada a espera. Comprar um carro é a desculpa. Fugir é a razão. Escapar da dor de ser traída, da solidão, da angústia, de tanta emboscada que caímos quando amamos. Trabalhando como garçonete, ela viaja pelos Estados Unidos. No percurso, conhece personagens que só existem quando, como no romance de Kerouac, “a vida é a própria estrada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para escapar da tentação de contar as surpresas do caminho ou a ternura do final, vale ressaltar alguns aspectos técnicos do filme. “Um Beijo Roubado” é o primeiro longa que Wong Kar Wai dirige para a indústria cinematográfica estadunidense. Nesse, o chinês não tem a ousada pretensão artística dos seus outros filmes, como “Amor à flor da pele”. No entanto, apesar de ignorado em Cannes (2007), a obra mantém características do trabalho autoral do diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cenários lembram o melhor da boemia romântica: bares, cassino e ruas. O diretor de fotografia, Darius Khondji, aproveita para trabalhar com cores vivas e explora as superfícies de garrafas, copos, janelas, vitrines. Também são belíssimas as imagens supostamente registradas pela câmera de vigilância do bar de Jeremy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste filme, a protagonista é a pior das atrizes. Norah Jones, ao estrear nas telas, cai no lugar comum de outras cantoras aspirantes a atrizes: são melhores no palco. Já a trilha sonora é extremamente apropriada. Além da própria Norah Jones, há Neil Young, Cat Power e Otis Reeding.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sonoridade de cada cena, “Um Beijo Roubado” pode ser desconcertante. Ainda mais para quem a vida se encarrega de criar situações (e a arte de mostrá-las) em que não há saída: é hora de entregar as chaves, fechar as portas, admitir o fim. Outro beijo, em outra boca, será inevitável. Aí é que está o melhor do romantismo que nos impulsiona a fugir ou a voltar para casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-6787658783653238636?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/6787658783653238636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=6787658783653238636' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/6787658783653238636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/6787658783653238636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/06/romantismo-caseiro-ou-fujo-de-um-beijo.html' title='O romantismo - caseiro ou fujão -  de “Um Beijo Roubado”'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_R4BQtiJ5_0g/SFXbLoZnVhI/AAAAAAAAAAM/Z22EPs1v_L4/s72-c/blueberry_nights_beijo_roubado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-651875711527046266</id><published>2008-06-10T18:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-11T13:38:58.400-07:00</updated><title type='text'>Enxágüe a boca!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O lirismo de extrair quatro sisos sob a compaixão de Virginia Woolf.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dolorida, a agulha invade as extremidades da minha gengiva. A boca e a língua adormecem. A dor desaparece. Há apenas um desconforto incômodo, um medo hipocondríaco que me leva a pensar que estava desvairada ao decidir tirar os quatro sisos de uma vez. Exagero na minha purgação. Lembro do parágrafo (aliás, frase única) do ensaio “On Being III” (sem tradução para o português). Torno-me cúmplice de Virginia Woolf.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Considerando quão comum é a doença, quão tremenda a transformação espiritual que ela produz, quão assombrosos, quando as luzes da saúde baixam, os países ignotos que são então expostos, que ermos e desertos da alma um ligeiro ataque de gripe põe à vista, que precipícios e gramados salpicados de flores brilhantes uma pequena elevação de temperatura revela, que antigos e empedernidos carvalhos são desarraigados em nós pelo ato da enfermidade, como descemos ao poço da morte e sentimos a água da aniquilação pouco acima das nossas cabeças e despertamos pensando nos encontrar na presença dos anjos e dos harpistas quando temos um dente extraído e chegamos à superfície na cadeira do dentista e confundimos seu “Enxágüe a boca” com a saudação de Deus curvando-se do piso do Céu para nos dar as boas-vindas – quando pensamos nisso, como somos tão freqüentemente forçados a fazer, torna-se realmente estranho que a doença não tenha tomado o seu lugar ao lado do amor, da batalha e do ciúme entre os temas principais da literatura.”&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poderia ser uma saudação de boas-vindas no céu ou no inferno, mas era apenas meu atencioso dentista:- Enxágüe a boca!Cirurgia acabada. Quatro sisos extraídos, sem anjos nem harpas. Passada a anestesia, o sangue e a dor deixam de ser líricos. Amor, batalha e ciúme, nada disso. A literatura que busco hoje é a que se compadece da minha gengiva costurada.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-651875711527046266?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/651875711527046266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=651875711527046266' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/651875711527046266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/651875711527046266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/06/enxge-boca.html' title='Enxágüe a boca!'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-1827847925434509896</id><published>2008-06-06T14:38:00.001-07:00</published><updated>2008-06-15T20:29:26.973-07:00</updated><title type='text'>Eu vi o Aleph</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os ingressos esgotados para a peça “Memória do Mundo”, no Sesc Avenida Paulista. Lista de espera. Mais de meia hora de ansiosa curiosidade naquela quinta-feira. Às 19h30, eu e outras duas pessoas somos chamadas. Quando descemos do elevador, alguém recebe nosso ingresso na penumbra. Iluminados por apenas uma vela, somos guiadas à sala do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuridão total. Ficamos, os três, sem saber onde sentar. Ouvimos uma música. Vagamos como piões bêbados em busca de alguma cadeira vazia. Tropeçamos em pernas alheias. Até que sinto vergonha, achando que estou em pleno palco. Uma voz, então, anuncia: “Gente, vou começar de novo”. Acendem-se as luzes. Vejo que é uma sala pequena. Somos 25. A forma como as cadeiras estão dispostas resulta em um retângulo. Atrás de nós, espelhos. Não há palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem reclama: - Assim fica difícil. Que não deixem subir...&lt;br /&gt;Interrompo: - A culpa é da produção. Ninguém aqui chegou atrasado.&lt;br /&gt;E a voz escondida restabelece a paz: - Fechem os olhos. Fechem os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois, quando os abro, já estou perdida nos labirintos das ruas de Buenos Aires, nas cores que fogem da cegueira ou no reflexo daquelas paredes de espelho que mostram os meus companheiros de espetáculo, e mostram ‘eu’ e meus múltiplos ‘eus’ numa sucessão infinita, e mostram o ator João Paulo Lorenzon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista é também o autor da peça. Talvez por isso olhe nos olhos do público, enquanto se movimenta pelo cenário ou balança a bengala como um pêndulo, costurando fragmentos de obras e entrevistas de Jorge Luis Borges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monólogo conta uma noite na vida do escritor. Mais lírico que costuma ser nas suas páginas, ele delira ao lembrar de Beatriz, sua amada morta. Ainda assim, um lírico comedido. Porém, me surpreendo quando os gemidos e movimentos do ator sugerem a simulação de um orgasmo. Desconheço qualquer erotismo explícito em Borges. Por outro lado, sou fisgada pelas lembranças que tem do pai e da literatura. Aliás, ele afirma que se orgulha dos livros que leu, não dos que escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrelinhas filosóficas priorizam o conto “El Aleph” e as armadilhas do tempo e do espaço. Em português, ouço o trecho que me repito, em sotaque portenho, desde que li o conto “El jardín de los senderos que se bifurcan”: “Siglos de siglos y solo en el presente ocurren los hechos; innumerables hombres en el aire, en la tierra y el mar, y todo lo que realmente pasa me pasa a mí…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura e teatro como espelhos que se refletem infinitamente. As duas artes comungam. O texto literário de Borges torna-se mais teatral. Emotivo, ágil. Suave. Tão vivo e próximo do público. Cegos, somos levados ao “objeto secreto y conjetural” que, entre suas diversas interpretações, revela as diversas facetas deste “inconcebible universo”. A obra de Borges busca o Aleph. A peça teatral é uma forma de nos aproximarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(No final da peça “Memória do Mundo”, o ator pede desculpas. Ele diz que a falha é da produção que nos deixou entrar quando a peça já havia começado, proporcionando uma diferente experiência de cegueira.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a peça: “Memória do Mundo”&lt;br /&gt;Texto: João Paulo Lorenzon&lt;br /&gt;Direção: Élcio Nogueira Seixas&lt;br /&gt;Com: João Paulo Lorenzon&lt;br /&gt;Onde: Sesc Avenida Paulista (Avenida Paulista, 119. São Paulo- SP)&lt;br /&gt;Quando: até 12/6/08. Todas as quintas-feiras às 19h30 e 21h.&lt;br /&gt;De: R$ 2 a R$ 8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Autor de, entre outras narrativas, “Ficciones”, “Historia universal de la infamia”, “El Aleph”, “El informe de Brodie”. Destacou-se pelos contos, poemas e ensaios. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas. Recebeu importantes prêmios (como Cervantes, 1980) e numerosas distinções de universidades. Sua obra foi reeditada pela Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-1827847925434509896?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/1827847925434509896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=1827847925434509896' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/1827847925434509896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/1827847925434509896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/06/eu-vi-o-aleph_06.html' title='Eu vi o Aleph'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8918874653744743232.post-4818749080154612521</id><published>2008-06-06T14:14:00.000-07:00</published><updated>2008-07-28T19:43:22.211-07:00</updated><title type='text'>Faces da Arte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O ônibus passava pelos solitários campos do pampa. Eu lia “A Náusea”. Não lembro em que tom, a senhora sentada ao meu lado disse: “Estás perdendo a paisagem”. Sorri, sem responder. Pensei, porém, que quando olhasse através da janela, veria de outra forma. Depois de cada página de “A Náusea”, aquela paisagem seria diferente. Talvez não mais solitária.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda neste mesmo livro, Sartre provoca: “Mas é preciso escolher: viver ou narrar”. Escolho ambos. Na minha gramática livre, esses verbos se misturam e se perdem, confundindo-se em meus hábitos e textos. Vivo e narro neste blog. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tento capturar a arte, que passa escapando de definições. Encontro, às vezes, porém,  alguém que ameaça a sua liberdade de simplesmente ser. Como no caso de Heidegger, para quem a obra artística tem duas faces: terra (que encobre a claridade dos significados) e mundo (que os torna explícitos). A arte, portanto, mostra e esconde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A arte provoca, enquanto brinca de esconde-esconde. Entro na jogo. Torno pública esta busca e convido-os a compartilhar de algumas reflexões. Dialoguemos, então, permitindo que a arte transforme o nosso olhar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8918874653744743232-4818749080154612521?l=facesdarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://facesdarte.blogspot.com/feeds/4818749080154612521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8918874653744743232&amp;postID=4818749080154612521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/4818749080154612521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8918874653744743232/posts/default/4818749080154612521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://facesdarte.blogspot.com/2008/06/faces-da-arte.html' title='Faces da Arte'/><author><name>t</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01886665913487655538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
